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Giba neles!

Ex-jogador conta como levou a experiência de anos de competições para os novos negócios

Ex-jogador conta como levou a experiência de anos de competições para os novos negócios

A medalha de ouro conquistada pelo Brasil nas olimpíadas de 2016 libertou o grito de "é campeão" dos jogadores da Seleção de Vôlei Masculino no alto do pódio, mas, fora dali, uma pessoa em especial também estava vibrando como se fosse parte do time: Gilberto Godoy Filho - ou Giba para milhares de brasileiros - depois de 25 anos dentro de quadra, assistiu ao jogo de forma privilegiada, mas dessa vez no posto de comentarista de TV.

Atleta profissional desde 1989, o jogador participou da vitória em Atenas 2004 e das medalhas de prata em Pequim 2008 e Londres 2012, mas sente que colaborou para a conquista desse ano também. “Acho que pra sempre vou me sentir parte do time, até por toda a experiência que a gente passou para esses meninos ao longo dos anos e eles levaram para dentro da quadra. Eu vi praticamente todos eles crescerem e evoluírem em campo. Então, seja de forma direta ou indireta, a gente deu uma mão para eles”, confessa o jogador.

Giba começou a ter contato com esportes na escola. Depois de tentar “um pouco de tudo”, acabou cativado pelo vôlei. Em 1995 entrou para a seleção e participou de diversas fases do esporte, entre altos e baixos. “Em 1997 nós éramos todos moleques, esse começo foi um aprendizado. Era a época que a Itália ganhava tudo, foi difícil. Mas conforme foram passando os anos, 2000, 2001, a gente já era um time bem entrosado, uma geração que cresceu junto e isso ajudou bastante nas conquistas que vieram”, explica Giba.

A amizade entre os jogadores não era apenas na hora de bater os adversários. Antes de começarem os campeonatos, a equipe organizava jantares de confraternização para acalmar os ânimos e focar no objetivo maior: ganhar. “Uma coisa bacana que a minha geração tinha era a preocupação com o intelecto. Parece que no Brasil você precisa escolher entre estudar ou ser esportista e não é assim. A gente precisa ter um estudo independente de qualquer coisa. Por exemplo, nós levávamos livros para as viagens e trocávamos entre os atletas. Essa é uma ideia legal para os mais jovens. É importante o entrosamento mental também”, afirma.

Até porque não é fácil tomar uma decisão em apenas frações de segundos para resolver uma jogada. É preciso entrar em quadra com tranquilidade e sossego e saber a hora de ir com tudo! “Para se tornar um atleta você precisa ter persistência e disciplina. A vontade que eu tinha de ser profissional e seguir a carreira nisso me ajudaram a alinhar essas qualidades”.

E engana-se quem pensa que Giba precisou de força de vontade também para seguir a alimentação restritiva de atletas. Pelo contrário. Se não tomasse cuidado, ele até emagrecia. Que sonho! Uma nutricionista acompanhava os passos de cada jogador e exames eram frequentes para entender o que mais eles necessitavam. “A minha mãe é nutricionista, então desde pequeno eu já tinha esse controle dentro de casa. Como tive leucemia, precisava de uma alimentação a base de muito ferro e aprendi a me controlar. Sei que não devo comer só carboidrato e esquecer da proteína. E por ter morado fora já aos 15 anos, tive que me virar para não comer só macarrão”, ri Giba.

Inclusive os hábitos alimentares se mantém até o presente e o contato com a comida só aumentou. Giba matou as saudades dos tempos de competições participando- e ganhando! - o quadro Super Chef, do programa “Mais Você”. “Foi bem tenso participar do Super Chef porque eu gosto de cozinhar tranquilo e lá você tinha tempo contado, dificuldades impostas. Me ajudou muito, aprendi as técnicas de cozinha e foi uma experiência maravilhosa”, lembra o atleta.

Atualmente ele comanda o projeto “Giba Bom de Garfo”, um site e canal de vídeos onde cozinha acompanhado de alguns convidados. “A ideia surgiu em uma viagem com amigos onde falei que faria uma picanha invertida e eles não acreditaram. Depois fiz massa, risoto… no fim, nós entramos numa produtora, dois desses amigos viraram meus sócios e nasceu o programa”, conta acrescentando: “Eu realmente gosto de cozinhar, ter um momento de terapia, em família com meus filhos Nicoll e Patrick para eles formarem um gosto pela culinária. É como leitura: se você TEM QUE ler, vira uma obrigação. Mas se coloca o livro como presente, já muda a cabeça da criança. Eles curtem quando estão comigo e já têm até aventalzinho”.

Com a aposentadoria em 2014 veio o tempo para se dedicar a outros campos, como o social e jornalístico. Como fazia nos tempos de seleção, Giba quer incentivar as crianças a se dedicarem não só ao esporte, mas também dar todo o suporte que elas precisam ter para seguir esse caminho. “O projeto Gibinha Vôlei cuida de crianças através da lei do incentivo, envolvendo famílias, comunidades e colocando eles para perto do esporte, além de afastar as crianças das drogas e de tudo de ruim que vemos acontecer”, conta. Atuação parecida com a que ele exercerá como presidente da Comissão de Atletas da FIVB. “A ideia da comissão é viajar pelo mundo para mostrar o que ele tem de bom e o que os atletas podem ter de melhor para eles e para as necessidades dos clubes em que atuam. A primeira reunião será em Buenos Aires”.

Com a realização das olimpíadas no Rio de Janeiro, Giba foi convocado para o time de comentaristas da TV Globo e precisou estudar e conhecer um novo mundo, além de assistir aos jogos sem poder interferir com um belo saque. “Foi muito tranquilo assistir à uma olimpíada fora das quadras porque eu me aposentei muito bem resolvido, não tive qualquer frustração quando parei. Para a TV nós começamos a preparação dois anos antes, com aulas com fonoaudiólogos, cursos de câmera, estúdio. Eu me apaixonei por poder contar uma história e foi uma experiência única para mim e para todos os outros atletas que trabalharam juntos”, se declara o agora ex-jogador.

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